segunda-feira, 16 de maio de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Nós falamos em verso
Eis uma autêntica pérola, do melhor que tenho ouvido, para que ninguém nunca mais se atreva a dizer que a língua portuguesa não é para ser cantada. Senhoras e senhores, Pedro d'Orey:
segunda-feira, 4 de abril de 2011
A princesa de Clèves cometeu um erro ...proustiano
A promessa dada ao marido em vida ganha as trágicas proporções de um delírio de orgulho quando a princesa de Clèves decide cumpri-la para com um morto, obedecendo a uma lei que só existia na sua mente escrupulosa. M. de Clèves não estava no direito de lhe exigir que recusasse o duque de Nemours depois da sua morte, nem ela de cumprir tal desejo, em memória de um defunto, contra o amor que sentia por um homem vivo.
Um erro com sabor a Proust: embriagado pela dança de cemitério com a visão da avó, o narrador de mestre Marcel receia tudo o que possa transformá-lo numa pessoa diferente daquela que a avó conhecera, desejaria ser ele próprio cadáver petrificado, coluna de sal com o olhar para sempre fixo na avó defunta de um passado morto, teme que o pulsar indomável e imprevisível da vida - sejam a alegria de um simples passeio num dia de Primavera, ou o desejo físico pelo corpo vivo de Albertine - ameace a quietude do culto idólatra do "regret pour nos morts" e de "ce qu'ils ont aimé".
Mas tal como a avó do narrador, que lhe tornava possível o sexo seguro, previsível, de um incesto de infantil candura, não passava de "un simple écho de mes paroles" e "le reflet de ma propre pensée", assim também a regra que levou a princesa de Clèves a fechar-se numa torre muralhada longe dos olhos do duque de Nemours não era mais do que a sombra fantasma do marido que tinha enterrado. Madame de Clèves cometeu o engano fatal de se impor uma perfeição mais perfeita que a de Deus ele próprio. Levando ao extremo este erro, encerrou-se num convento, uma decisão que não podia ser mais contrária ao amor, assim duplamente atraiçoado - não se entra para um convento para fugir do amor, mas para ir ao encontro dele, quando o amor que arrebatou um coração está vivo dentro duma cela e o seu chamamento é irresistível (que o diga Thérèse Martin e tantas outras).
Foi de profunda sabedoria aquilo que disse M. de Nemours à princesa de Clèves: "Vous seule vous opposez à mon bonheur; vous seule vous imposez une loi que la vertu et la raison ne vous sauraient imposer". Seria ainda mais acertado dizer: "Vous seule vous opposez à notre bonheur".
Um erro com sabor a Proust: embriagado pela dança de cemitério com a visão da avó, o narrador de mestre Marcel receia tudo o que possa transformá-lo numa pessoa diferente daquela que a avó conhecera, desejaria ser ele próprio cadáver petrificado, coluna de sal com o olhar para sempre fixo na avó defunta de um passado morto, teme que o pulsar indomável e imprevisível da vida - sejam a alegria de um simples passeio num dia de Primavera, ou o desejo físico pelo corpo vivo de Albertine - ameace a quietude do culto idólatra do "regret pour nos morts" e de "ce qu'ils ont aimé".
Mas tal como a avó do narrador, que lhe tornava possível o sexo seguro, previsível, de um incesto de infantil candura, não passava de "un simple écho de mes paroles" e "le reflet de ma propre pensée", assim também a regra que levou a princesa de Clèves a fechar-se numa torre muralhada longe dos olhos do duque de Nemours não era mais do que a sombra fantasma do marido que tinha enterrado. Madame de Clèves cometeu o engano fatal de se impor uma perfeição mais perfeita que a de Deus ele próprio. Levando ao extremo este erro, encerrou-se num convento, uma decisão que não podia ser mais contrária ao amor, assim duplamente atraiçoado - não se entra para um convento para fugir do amor, mas para ir ao encontro dele, quando o amor que arrebatou um coração está vivo dentro duma cela e o seu chamamento é irresistível (que o diga Thérèse Martin e tantas outras).
Foi de profunda sabedoria aquilo que disse M. de Nemours à princesa de Clèves: "Vous seule vous opposez à mon bonheur; vous seule vous imposez une loi que la vertu et la raison ne vous sauraient imposer". Seria ainda mais acertado dizer: "Vous seule vous opposez à notre bonheur".
La Princesse de Clèves (1961)
La Princesse de Clèves (1961)
Réalisation: Jean Delannoy
Acteurs principaux: Marina Vlady (princesse de Clèves), Jean-François Poron (duc de Nemours), Jean Marais (prince de Clèves)
Scénario: Jean Cocteau & Jean Delannoy
Musique:Georges Auric
Décors:René Renoux
Costumes: Pierre Cardin & Marcel Escoffier
Photographie: Henri Alekan
Montage: Henri Taverna
Production: Robert Dorfmann
Sociétés de production : Silver Films (France), Enalpa Film (Italie), Produzioni Cinematografiche Mediterranee (Italie)
quinta-feira, 17 de março de 2011
La Belle Dame sans Merci
Words : John Keats (1795-1821)
Music : Charles Villiers Stanford (1852-1924)
Tenor : Ian Bostridge
Piano : Julius Drake
Oh what can ail thee, knight-at-arms,
Alone and palely loitering?
The sedge has withered from the lake,
And no birds sing.
Oh what can ail thee, knight-at-arms,
So haggard and so woe-begone?
The squirrel's granary is full,
And the harvest's done.
I see a lily on thy brow,
With anguish moist and fever-dew,
And on thy cheeks a fading rose
Fast withereth too.
I met a lady in the meads,
Full beautiful - a faery's child,
Her hair was long, her foot was light,
And her eyes were wild.
I made a garland for her head,
And bracelets too, and fragrant zone;
She looked at me as she did love,
And made sweet moan.
I set her on my pacing steed,
And nothing else saw all day long,
For sidelong would she bend, and sing
A faery's song.
She found me roots of relish sweet,
And honey wild, and manna-dew,
And sure in language strange she said -
'I love thee true'.
She took me to her elfin grot,
And there she wept and sighed full sore,
And there I shut her wild wild eyes
With kisses four.
And there she lulled me asleep
And there I dreamed - Ah! woe betide! -
The latest dream I ever dreamt
On the cold hill side.
I saw pale kings and princes too,
Pale warriors, death-pale were they all;
They cried - 'La Belle Dame sans Merci
Hath thee in thrall!'
I saw their starved lips in the gloam,
With horrid warning gaped wide,
And I awoke and found me here,
On the cold hill's side.
And this is why I sojourn here
Alone and palely loitering,
Though the sedge is withered from the lake,
And no birds sing.
sábado, 5 de março de 2011
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