terça-feira, 20 de setembro de 2011

confusa

Andou por ali, à procura de si própria. Outra vez. E mais um fulano que cruzou. A história do costume, o engano riscado. Embrulhou-se. Quase. Não fora o outro, que - nem sequer porque um anjo, mais por malícia, apenas pouco por dela ter pena - decidiu cortar as vasas ao tal. Como tem o coração à flor da pele, caiu em si. E era vê-la triste, mais autêntica.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

hesitações

Conheceu carinho, entrega, gestos bons, lealdade, palavras francas. Foi igualmente provada na rejeição, experimentou frio, medo e desamor. Viciou-se na solidão. Como quem se aloja numa gruta, coração assustado a bater contra a rocha. E nem ela sabe já se fazia sol, no dia quando ali se enclausurou.

vertigem

Nem sempre as coisas são como parecem. Mas como acredita mais simples que assim sejam, constrói de há muito um labirinto. Pouco é aquilo que ali bate certo e a estrutura oscila permanentemente, pronta a desabar. Mas habituou-se à vertigem e tem-na como segurança, de tanto a conhecer.

à sede

Assim. Como plantada. Mas sem deitar raízes. É que quando as tinha ainda tenras.. arrancaram-na. E agora vive à mingua, torturada pela sede, entre a ânsia de ficar e o medo de mudar.