sábado, 10 de março de 2012

L'amour

‎"L'amour a été inventé par les femmes pour permettre à ce sexe de dominer alors qu'il était fait pour obéir"
Jean-Jacques Rousseau

sexta-feira, 9 de março de 2012

Recuar

Este presente que o não é
paralisado pelas memórias venenosas
do passado
repisado

Decisões que o não são
travadas por mil receios
capazes somente
de fugir e recuar

Sonhos que nada serão
penosas mascaradas
que evitam apenas
abraçar o presente

Amores que nada são
efémeras construções
que simulam
alternativas

A liberdade que o não é
nome falso de calabouço
onde livre se é apenas
de ousar

Na alma, tristeza lancinante
um gemido surdo
medo antigo
algemam-na, cativa

A minha menina sofre triste
com tanta felicidade adiada
já nem lembra o que é viver
foge ao sol e à luz

Tragam-me a minha princesa
vão-ma buscar, àquela torre
soltem-na, fantasmas vazios
Entreguem-ma, que é minha

sexta-feira, 2 de março de 2012

Guarda reservas. Mede, calcula. Não se permite trair receios, proibe-se ousadias. Fica-lhe uma saída, por falta de alternativas: fugir. À procura de um lugar protegido, no passado. Assustada, não sabe sair de um círculo que lhe vicia a existência.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Falta o pé

Resvalar é mais fácil do que parece.
E assim é, ainda, no momento que precede
a queda.
Não tinha que ser,
não to disse?
Estatelado,
nem sequer me vês,
riscado do teu horizonte.

Se a certeza de me teres
me retira valor,
o vazio que fica
é-te consolação?
Ou vives uma ilusão?
Que vida tem esse vazio?
Encheste-lo de ti?

Sabes o que é dar
sem receber?
Sabes o que é chorar?
Que sabes tu do sofrer,
nessa insistência
em te protegeres?
Sabes lá..

Os tormentos são
nenhuns,
se não os teus.
Alheia a dor
que não sentes.
De pau e palha,
a carne que não
a tua.

Morto me enterrarias
e vivo,
sem hesitar.
Morto me matarias,
e moribundo
deixarias.
Sem queixas
nem saudades.

Frio, este gelo,
com que uma das duas
nos castiga.
Mas se me confundes
com ela-tu que te traz cativa,
e a mim acusas
daquilo que te faz,
como posso libertar-te?

Resta-me só
ficar contigo de ti
cativo,
sem que sequer
as culpas
comigo partilhes?

sábado, 24 de dezembro de 2011

Romantismo aplicado

Saída do abrigo
desorientada
apressada
caprichos esquecidos
passos pequenos

queria e já não
tocada, agora recomposta
acendeu
uma chama
que pretende ignorar
e passou a desprezar

Tem uma agenda
prazos
metas
condicionantes
Mas até se acha romântica

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

comunidade de pensamento plural

Quarantotto - Tendo contestado todas as definições de Direita dadas por outros, só te resta dizer a tua. O que é a Direita?

Prezzolini - É o conjunto das Direitas, das que recordámos e das que esquecemos.
Não há ‘uma’ Direita, mas sim várias Direitas. Esse facto, ao contrário de ser reducionista, faz da Direita uma comunidade de pensamento plural. As Direitas, por mais antagónicas que se julgem ser, conhecem o que as une, embora, à primeira vista, pareçam sempre desunidas.

entrevista de Cláudio Quarantotto a Giuseppe Prezzolini (1882-1982)

Requiem por Jan Palach

Arde o coração de Praga
Arde o corpo de Jan Palach!
Podemos dizer que o rei Wenceslau
também viu crescer o fogo em que arde o coração de Praga.
João Huss, queimando o seu corpo,
também arde na praça de Praga.
E os cavaleiros da Boémia, o povo
e os grão senhores, os menestréis
e os cantores da Morávia,
os operários de Pilsen, os poetas
e os camponeses da Eslováquia,
todos ardem, nessa tarde e nessa praça…

Queimamos a coragem e o heroísmo,
queimamos a nossa infinita resistência
Não é verdade, soldado Schweick?

Eles vieram das estepes e disseram
É proibido morrer pela Pátria!
É proibido resistir à ocupação,
É proibido não ceder à opressão,
É proibido amar os campos verdes do seu país,
É proibido amar o verde da Esperança,
É proibido amar a Esperança!

És proibido, Jan Palach,
És proibido, Jan Palach,
Estás proibido de resistir
Estás proibido de morrer!

Eles vieram das estepes e disseram todas estas palavras.
Mas também é verdade que disse um dia
o Rei Wenceslau montado em seu cavalo
Esta nossa terra será fértil
e nela crescerão livres os dias e os séculos,
e nela crescerão livres as virgens, as mães e os filhos
e crescerão livres as flores
e de entre essas flores virão rosas,
virão rosas livres cobrir a terra de Jan Palach!

Arde o corpo de Jan Palach
Arde o coração de Praga
Arde o corpo do Futuro
e já canta a Primavera!

José Valle de Figueiredo