Bruscamente, fechou-se.
Se as flores todas se fechassem assim,
Estaríamos uma pilha de nervos,
em alerta,
à espera do próximo estrondo.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
tábuas de salvação
Um destes dias, salvo por uma joaninha
No mês passado, pelo perfume de uma desconhecida
Hoje, foram aquelas nuvens que nem labaredas
No mês passado, pelo perfume de uma desconhecida
Hoje, foram aquelas nuvens que nem labaredas
terça-feira, 5 de junho de 2012
igual a zero
Tudo medido, tudo pesado. Milímetros, partículas, migalhas. Acertos, contabilidades, saldos e dívidas. Memórias de perdas passadas, listas feitas de mágoas e erros - conservadas, emolduradas. Tem tudo guardado. E ficou sem nada.
turbulência
Magoada, se não é entendida. Assustada, quando, empenhado em percebê-la, consegue ler-lhe os medos, fraquezas e insegurança. Poderia ter esperado e saberia se pode confiar, mas foge antes disso, incapaz de se entregar.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
mão cortada, não rouba
Feliz
- quase plenamente. Repousada, pelo menos. Segura. E seria assim sempre, se não
fossem aqueles momentos quando a dúvida vinha turvar-lhe a paz e roubar-lhe a
luz. O receio de perder tudo, a suspeita de traição, o medo de ser enganada. Convocados
os fantasmas tremendos da solidão e do abandono, sucumbe, assediada pela
angústia. Em pânico, repete então a fuga desesperada de sempre: antes só, que
apavorada. O passo seguinte, inevitável, é expulsar aquele que, pela razão
precisamente de uma presença e fidelidade, despoletou a insegurança.
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