sábado, 19 de abril de 2014

não gosto de ti porque não gosto de gostar de ti



cautela

..e se não for assim?

E se, parando, demasiado for o peso?
atleta, em corrida sem repouso
susto contido
medo em rédeas curtas

e o tempo, emboscado
paciente e sem perdão
tem-lhe a alma nas mãos
apertada

espera-a ali à frente
Adivinhando-o, previne-se
sobe as fasquias
cerra fileiras
borda fora os mantimentos
da vida, os momentos
sonhos
esperanças
tréguas

Se preciso for, proíbe-se
carinho

terça-feira, 25 de março de 2014

Pasmo

E terror
calado
sereno

Alma trancada
e o olhar sem nome
desprevenido

Passaram em turbilhão
em galope febril
indecente

Perdeu ali a vida
sabe agora
que há rumos

sem regresso

Fingir

E saber
onde
insistir

senhora de nada
nem da morte
sua

alimenta o orgulho
de ilusões
gasta o tempo
em certezas
falhas

tece, enlaça, aperta
e vai daqui
a guardar segredo
mudou de ideias
ao estreitar do nó

quinta-feira, 4 de abril de 2013

soma e dá zero

ter tudo
e somar consolo
beber águas de dois rios
correr entre muitas fontes
tudo de um trago

de passagem

ficar é vertigem
medo
entregar a alma
pavor

ali não está
nunca inteira
aqui trava o sentir
espreita alarmada

de passagem
e sem rumo
antes morta à sede
que beber

quinta-feira, 7 de março de 2013

arrecuo

Escapa-lhe, entre dias arrastados
a vida que dentro de si atrofia
uma casinha quase vazia
uma alma assustada
um não ver sem ser cega