Saída do abrigo
desorientada
apressada
caprichos esquecidos
passos pequenos
queria e já não
tocada, agora recomposta
acendeu
uma chama
que pretende ignorar
e passou a desprezar
Tem uma agenda
prazos
metas
condicionantes
Mas até se acha romântica
sábado, 24 de dezembro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
comunidade de pensamento plural
Quarantotto - Tendo contestado todas as definições de Direita dadas por outros, só te resta dizer a tua. O que é a Direita?
Prezzolini - É o conjunto das Direitas, das que recordámos e das que esquecemos.
Não há ‘uma’ Direita, mas sim várias Direitas. Esse facto, ao contrário de ser reducionista, faz da Direita uma comunidade de pensamento plural. As Direitas, por mais antagónicas que se julgem ser, conhecem o que as une, embora, à primeira vista, pareçam sempre desunidas.
entrevista de Cláudio Quarantotto a Giuseppe Prezzolini (1882-1982)
Prezzolini - É o conjunto das Direitas, das que recordámos e das que esquecemos.
Não há ‘uma’ Direita, mas sim várias Direitas. Esse facto, ao contrário de ser reducionista, faz da Direita uma comunidade de pensamento plural. As Direitas, por mais antagónicas que se julgem ser, conhecem o que as une, embora, à primeira vista, pareçam sempre desunidas.
entrevista de Cláudio Quarantotto a Giuseppe Prezzolini (1882-1982)
Requiem por Jan Palach
Arde o coração de Praga
Arde o corpo de Jan Palach!
Podemos dizer que o rei Wenceslau
também viu crescer o fogo em que arde o coração de Praga.
João Huss, queimando o seu corpo,
também arde na praça de Praga.
E os cavaleiros da Boémia, o povo
e os grão senhores, os menestréis
e os cantores da Morávia,
os operários de Pilsen, os poetas
e os camponeses da Eslováquia,
todos ardem, nessa tarde e nessa praça…
Queimamos a coragem e o heroísmo,
queimamos a nossa infinita resistência
Não é verdade, soldado Schweick?
Eles vieram das estepes e disseram
É proibido morrer pela Pátria!
É proibido resistir à ocupação,
É proibido não ceder à opressão,
É proibido amar os campos verdes do seu país,
É proibido amar o verde da Esperança,
É proibido amar a Esperança!
És proibido, Jan Palach,
És proibido, Jan Palach,
Estás proibido de resistir
Estás proibido de morrer!
Eles vieram das estepes e disseram todas estas palavras.
Mas também é verdade que disse um dia
o Rei Wenceslau montado em seu cavalo
Esta nossa terra será fértil
e nela crescerão livres os dias e os séculos,
e nela crescerão livres as virgens, as mães e os filhos
e crescerão livres as flores
e de entre essas flores virão rosas,
virão rosas livres cobrir a terra de Jan Palach!
Arde o corpo de Jan Palach
Arde o coração de Praga
Arde o corpo do Futuro
e já canta a Primavera!
José Valle de Figueiredo
Arde o corpo de Jan Palach!
Podemos dizer que o rei Wenceslau
também viu crescer o fogo em que arde o coração de Praga.
João Huss, queimando o seu corpo,
também arde na praça de Praga.
E os cavaleiros da Boémia, o povo
e os grão senhores, os menestréis
e os cantores da Morávia,
os operários de Pilsen, os poetas
e os camponeses da Eslováquia,
todos ardem, nessa tarde e nessa praça…
Queimamos a coragem e o heroísmo,
queimamos a nossa infinita resistência
Não é verdade, soldado Schweick?
Eles vieram das estepes e disseram
É proibido morrer pela Pátria!
É proibido resistir à ocupação,
É proibido não ceder à opressão,
É proibido amar os campos verdes do seu país,
É proibido amar o verde da Esperança,
É proibido amar a Esperança!
És proibido, Jan Palach,
És proibido, Jan Palach,
Estás proibido de resistir
Estás proibido de morrer!
Eles vieram das estepes e disseram todas estas palavras.
Mas também é verdade que disse um dia
o Rei Wenceslau montado em seu cavalo
Esta nossa terra será fértil
e nela crescerão livres os dias e os séculos,
e nela crescerão livres as virgens, as mães e os filhos
e crescerão livres as flores
e de entre essas flores virão rosas,
virão rosas livres cobrir a terra de Jan Palach!
Arde o corpo de Jan Palach
Arde o coração de Praga
Arde o corpo do Futuro
e já canta a Primavera!
José Valle de Figueiredo
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
desentendida
Saiu-lhe a sorte, mesmo que não a "grande". E tinha sido sempre ousada, o que muitos da pacatilândia chamariam "louca". Mas desde que decidiu sossegar, sem se dar conta incorporou os receios deles. Fingir-se desentendida foi a única saída possível. E passou-lhe ao lado.
proibido
Sem tirar nem pôr - era a tirar sem pôr. E sempre à espera de um fim. Que, de tanto receado, se tornou íntimo, quase desejado. Se estava tudo bem, mais uma razão para ansiar um termo, já que proibido passou a ser acreditar que aquele bem pudesse ficar.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
apesar de si
A alma humana, essa coisa afinal nem por isso tão complicada.. Apenas quando se esforça por isso. Mas porque se define - sempre que solta um gemido, um suspiro, um protesto, afasta o olhar, deixa cair uma lágrima ou esboça um sorriso - trai, apesar de si, a aragem ligeira, mas persistente, que insiste, teimosa, em se libertar da tal prisão que no corpo imita forma.
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