quinta-feira, 4 de abril de 2013

soma e dá zero

ter tudo
e somar consolo
beber águas de dois rios
correr entre muitas fontes
tudo de um trago

de passagem

ficar é vertigem
medo
entregar a alma
pavor

ali não está
nunca inteira
aqui trava o sentir
espreita alarmada

de passagem
e sem rumo
antes morta à sede
que beber

quinta-feira, 7 de março de 2013

arrecuo

Escapa-lhe, entre dias arrastados
a vida que dentro de si atrofia
uma casinha quase vazia
uma alma assustada
um não ver sem ser cega

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

inerte

partes
de pedaços
que juntos
falham sentido

e somá-las
castigo
corrida de obstáculos
sem
meta
sem
prémio

como se os medos
travassem
asas
voos
desejo

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

estrondo

Antes que lhe seja dado o que pediu, apressa-se a erguer a fasquia, inquieta. Prefere o menos, conhecido e subordinado. O alarido serve-lhe de camuflagem, neste encolher de medo. Um truque bem treinado, para que ninguém perceba que aquela ousadia toda em palavras é só fuga à intimidade que a assusta.

Was sie will bekommt sie auch

Be my provider

terça-feira, 9 de outubro de 2012

nenhures

Quando tiver tudo arrumadinho e no seu lugar, escolherá rumos e caminhos. Quer tudo perfeito, sinais absolutos. Não aceita fazer ajustes pequenos, arriscar no dia-a-dia. Quer oito ou oitenta por serem inacessíveis.