terça-feira, 9 de outubro de 2012

nenhures

Quando tiver tudo arrumadinho e no seu lugar, escolherá rumos e caminhos. Quer tudo perfeito, sinais absolutos. Não aceita fazer ajustes pequenos, arriscar no dia-a-dia. Quer oito ou oitenta por serem inacessíveis.

trémula

Foge de si, trancada por falhanços antigos. Corre em sobressalto que se tornou carburante, viciada na exaustão que sabe virá. Entre o medo de morrer e o susto de viver.

sábado, 25 de agosto de 2012

On prendra le tram trente-trois

Ce soir j´attends Madeleine
Mais il pleut sur mes lilas
Il pleut comme toutes les s´maines
Et Madeleine n´arrive pas

(Brel)

ali na rua

Era uma vez
uma alegria
ali na rua
à espera

que reparem nela

as nuvens levam isto com graça

Uma e mais vezes
corre o esquilo
às avelãs
Bica o pica-pau
a larva

E bate dentro
um novelo de veias
rasgam, gritam
suadas
peles cansadas

Não há outra vida
senão esta encenada
num ritmo fingido
e chorar não sabe
mais

É já ali à frente
espere o dia
que a noite passe
arrasta-se, adia
surda

Não está
partiu
se dissolver-se pudesse
descansaria
insiste

Percurso
desfocado
cambalear errante
quer a lua
apagada

Que até
o brilho dela pálido
fere
as aparências
insubordinada

E nem sequer é grave
muito menos sério
se outros ventos
procurasse
voaria sem peso

Finca ali
os pés
guarda avelãs (três ou quatro)
matraqueia o tronco seco
onde não mora bicho

As nuvens
deixaram-se aquecer
traçam sorrisos
bailam no azul
Olha para elas!

não se autoriza

São traços só
de quando passou,
entre escassas memórias
teimosos

Era bom demais,
repete-se:
o querer inteiro
o desejo obcessão

Proíbe-se
obriga-se
expulsa vestígios
desmente a comoção

Entre dois repousos
estancada
aquele que o sol iluminava
e esta agonia parada

Um passarito assustado
nos ramos preso
daqueles olhos frondosos
sonha voar